sábado, 30 de junho de 2012

Oração da Bailarina

NÃO SOU ESTRANGEIRO AQUI!



Era uma tarde tranquila, final de outono. As folhas vestiam a nudez d nostálgico invadia meu interior. Eu vislumbrava os diferentes tons do entardecer, sentia os mais distintos aromas, escutava a algazarra dos pássaros se recolhendo, tão unidos, tão amigos. Entendi num instante o porquê daquelas palavras de Deus nas primeiras páginas da Bíblia: “Ele viu que tudo era muito bom!”

Já me perguntei muitas vezes: Por que Deus criou este mundo? Por que Ele nos criou? Lembro-­‐me dos tempos escolares quando construía maquetes de isopor para exposições no colégio. Minha mãe era a grande engenheira que traçava o planejamento das ruas, rios, praças, igrejas e prédios da maquete. A mim, me cabia somente recortar e colorir o que fora traçado por ela. Na verdade, acho que eu mais atrapalhava do que ajudava. Com minhas mãos pequenas e a falta de coordenação motora era muito difícil acertar os contornos dos recortes. Muito isopor era perdido com a minha tentativa de criar. Mas, minha mãe era uma verdadeira artista e sabia reaproveitar os cacos que eu deixava para trás. Ao final, quando tudo ficava pronto a alegria era completa. Nossos olhos eram envolvidos com tanta beleza que fora criada pelas nossas próprias mãos. Minha satisfação era rodar as ruas daquela maquete com os carrinhos em miniatura. Eu era quem controlava a vida total daquela cidade de isopor. Era tão bom me disfarçar de deus por alguns instantes. A imaginação me tomava e brincar com toda aquela criação era o meu maior prazer.

Não posso acreditar que Deus tenha criado tudo isso simplesmente para agir como eu agia diante da maquete. Já ouvi palavras que evocam o contrário do que penso. Ouvi palavras, religiosas inclusive, que transferem para um outro mundo toda a alegria de viver desta vida. Escutei argumentos que afirmam ser este mundo muito mal e até que as alegrias que podemos experimentar aqui podem nos privar de um outro que é totalmente perfeito. Confesso ficar incomodado com essas apavorantes palavras. Sinto‐me imerso em uma imensa máquina de tortura do pensar. Se acredito nessas palavras acabo ficando indignado com Deus. Penso que se existe um outro mundo tão perfeito e se este tão imperfeito pode nos privar do outro, por que Ele desejou criar este? Estaria esse deus tirano se divertindo com o nosso sofrimento ou seria esse criador um deus bonzinho, mas fraco que torce para que o diabo não nos arranque de suas mãos? Me perdoem, mas não posso acreditar nesse deus! Não teria Nietzsche sepultado justamente essa ideia de deus? 

Eu acredito em outro Deus, naquele revelado por Jesus de Nazaré. Nas palavras do nazareno Deus veste os lírios do campo, alimenta as aves do céu, chora com as nossas dores e ri diante de nossa alegria. É um Deus que sabe dançar muito bem! O Deus de Jesus Cristo não ama o sofrimento, mas enfrenta‐o por amor e só por amor. Ele ama o mundo e só por isso nos enviou o seu Filho para que o que Deus amou fosse salvo. Jesus anunciou que este mundo não é uma maquete, mas já uma antecipação daquela Realidade que já começou. Foi Ele mesmo quem disse: o Reino de Deus já está entre vós!

Proponho um método diferente de oração: orar com olhos abertos. Não é nenhum método novo, muito menos invenção minha. Essa maneira de orar fora criada por Deus já nas primeiras páginas da Bíblia no momento em que Deus olhou para sua criação e ao invés de dEle fechar os olhos diante dela os abriu ainda mais com atitude contemplativa: e VIU que tudo era muito bom!

Esses pensamentos que me vieram num entardecer de final de outono pediram para ser partilhados. Os cheiros e os aromas, as cores das flores, os sabores das frutas, os sons dos pássaros, os amores que dou e recebo me fazem sentir que este mundo é a minha casa. Pensamentos que me fazem sorrir diante da alegria de saber que Deus não me colocou em uma hospedaria, mas construiu um lar para eu morar. Se o céu está de fato em um outro lugar, considero este mundo seu jardim de entrada. Uma coisa eu posso sentir: não sou estrangeiro aqui!


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Algumas Dicas para a oração pessoal


1. Determine uma hora do dia e um tempo destinado à oração. Não será nada fácil cumprir este compromisso. Será preciso superar a preguiça e até o temor mais ou menos consciente de colocar sua vida diante de Deus.  Escolha a hora mais propícia do dia, num momento em que não esteja atarefado com preocupações, trabalhos, calor ou frio, sono ou cansaço. Seria bom que a hora fosse sempre a mesma. Sugiro-lhe, para começar, um mínimo de 20 a 30 minutos diários de oração. 
2. Antes de se deitar, leia rapidamente o assunto do dia seguinte . Depois de deitar-se, estando já para adormecer, pense a que hora fará amanhã sua oração e lembre brevemente o assunto. Quando acordar, pense  rapidamente no assunto da oração.  
3. Busque um lugar onde possa estar sozinho e sentir-se bem...  Música suave, uma certa penumbra podem criar clima favorável. Se o lugar de oração for o seu quarto, você pode sentar-se no chão, sobre um cobertor dobrado, com a Bíblia e este livro perto de você. 
4.  Busque uma posição corporal que lhe ajude na concentração e que seja razoavelmente cômoda e tranquila.  O homem reza não só com a mente, mas com todo o seu ser, também com o seu corpo. É o homem todo que reza! Você poderá rezar de pé, sentado, de joelhos..., com as mãos abertas, juntas... procure seu modo! Evite, porém, andar ou deitar-se. 
5. Fazer silêncio... Acalmar-se... suscitar desejo de ouvir a palavra de Deus... Acreditar que Deus está presente lhe escutando aqui, hoje.  Feche os olhos e  coloque-se diante de Deus, seja presença na presença Dele.  O importante é sentir como o Pai o ama, como olha para você! Deixe que Deus se comunique com você! Se achar que aquela determinada postura corporal lhe está ajudando no seu encontro com Deus, não mude. 
6. Pedir pela graça que você deseja mais profundamente dentro do seu íntimo. Pedindo, você reconhece que tudo é dom, e não fruto do seu agir. Durante o Retiro, você sempre encontrará a indicação de uma graça a pedir, como um fruto a ser alcançado naquela etapa de oração. 
7. Leia com atenção e tranquilidade a Palavra de Deus indicada, se possível em voz alta. A Palavra de Deus é interrogação que vem de fora para dentro de você. 
8. Pare e saboreie interiormente, sempre que algo o atrair ou o impulsionar. Se perceber que aquele determinado pensamento lhe traz alegria e paz, não passe para a frente, fique nele. Deus lhe está falando!  Faça sua oração com amor e liberdade... Mergulhe em profundidade... Falar e escutar... Louvar... Pedir... Perguntar... Meditar... Refletir... Relacionar... Silenciar,,, Tente não imaginar coisas por você mesmo, mas deixe o Espírito rezar através de você. Deixe-se invadir pelagraça, pela gratuidade do Senhor, e seja grato para com Ele! Perguntar-se: o que Deus está querendo me dizer?... Como posso colocar em prática o que Deus está me dizendo? 
9. Mantenha sempre estrita fidelidade ao tempo que, no início, você se propôs a ficar em oração. Caso o impulso seja para aumentar o tempo, faça-o tranquilamente. 
10. Saiba terminar a oração com um tempo de “colóquio”, uma conversa com Deus, que consiste em “falar com Deus” e não um “falar para Deus”.  Agradeça a Deus este momento de oração e peça forças para viver a vontade Dele. Reze um Pai Nosso e uma Ave Maria. 
11. Procure reservar sempre, no final da oração, ao menos 5 minutos para registrar num breve texto, um pouco do que aconteceu enquanto estava rezando. Muitas vezes a revisão da oração é mais importante do que a própria oração. Por meio dela deve descobrir o que Deus quer de sua vida. Deverá fazer estas revisões num caderno dedicado a este trabalho. 
12. Para revisar a oração:           
 - Escreva os trechos da Palavra de Deus, pensamentos, imagens, palavras, expressões, recordações da vida que foram mais marcantes...            
- Escreva os sentimentos que mais apareceram: paz, alegria, confiança, ânimo, coragem, abertura, experiência do sentido da vida, etc. ou inquietude, angústia, tristeza, desconfiança, desânimo, fechamento, obscuridade, confusão, irritação, etc.           
 - Veja quais foram os apelos, impulsos, desejos, inspirações...            
- Veja quais foram as resistências, medos e repugnâncias diante do texto...

domingo, 24 de junho de 2012

1ª Semana da formação Espiritual

Tema: Senhor ensina-me a orar


"Senhor ensina-nos a orar, como também João ensinou a seus discípulos" (Lucas 11, 1b)


O convite que fazemos nesta primeira semana, é para que aprendamos a orar. 
São Paulo em suas carta aos Romanos vai dizer que "não sabemos o que pedir nem como pedir" (cf. Rm 8,26). E na passagem acima os apóstolos pedem a Jesus que os ensinem a orar, pois vêem o Mestre constantemente se retirando para orar. Podemos portanto concluir, que a oração não depende apenas de nós, mas é graça que recebemos de Deus.
A oração é como um encontro de amigos íntimos, que se encontram para conversar, como nas amizades mais íntimas, não é preciso buscar na oração grandes emoções,  mas sim, estar junto daquele que nos é importante. Muitas vezes nem são necessárias palavras, pois os grandes amigos, reconhecem um ao outro pelo olhar.
Portanto a oração é um encontro onde recebemos de Deus um convite, e vamos então ao seu encontro, e deixamos que Ele fale profundamente ao nosso coração.
Nesta semana nos textos propostos, vamos nos deparar com homens e mulheres que buscavam encontrar algo, tinham o desejo de Deus, sentiam no seu coração uma sede que os movia para mais, e descobriram um Deus que procurava se relacionar com eles.
Na segunda vemos Moisés, que é chamado por Deus para subir ao monte, e ao chegar lá, permanece, como quem chegou na sua própria casa. Na terça rezaremos com um salmo que demonstra a necessidade que temos de estar na presença de Deus e orar. Na quarta, na quinta e na sexta, veremos próximas a nós, 3 mulheres em busca: A mulher que perdeu a moeda, a samaritana que vai ao poço matar sua sede e lá se encontra com uma água diferente e Maria Madalena que vai ao tumulo procurar aquele que vive.
É importante ressaltar que em todos estes textos está presente também o desejo que Deus tem de vir ao nosso encontro, quando o "buscamos" nos descobrimos "buscados".
Para o Sábado proporemos sempre um exercício de repetição que consiste em escolher na semana, aquela oração que foi mais consoladora, ou aquela que menos fluiu, então rezarei novamente esta passagem, baseado nas anotações que fiz em meu caderno. Boa Oração!


Graça a ser pedida: "Senhor que teu Espírito venha ensinar-me a orar"


Segunda-Feira: 25/06 - Exodo 34,1-5
Terça-Feira: 26/06 - Salmo 62 (63)
Quarta-Feira: 27/06 - Lucas 15, 8-10
Quinta-Feira: João 4, 1-41
Sexta-Feira: João 20, 1.11-18
Sábado: Repetição


(Fonte: ALEIXANDRE, Dolores. Ícones Bíblicos. edições Loyola)